A Internet completou 50 anos de existência. Mas apesar do cinquentenário, o potencial da tecnologia está apenas no início, ganhando cada vez mais força para reinventar muitos aspectos de nossas vidas, desde a forma como fazemos negócios até a maneira como procuramos emprego.

A internet nasceu quando primeira conexão Arpanet foi estabelecida entre a Universidade da Califórnia (UCLA) e o Instituto de Pesquisa de Stanford às 22h30 do dia 29 de outubro de 1969. Leonard Kleinrock, professor da UCLA e seu aluno, Charley Kline, enviaram a primeira mensagem online para um programador da Universidade de Stanford, Bill Duval.

Essa primeira comunicação foi a faísca que acendeu o crescimento da internet e tudo o que ela trouxe: e-mails, compartilhamento de fotos em redes sociais, compra de livros e produtos pela internet, filmes em plataformas de streaming, vídeos de gatinhos, memes mesquinhos e até bots de adulteração eleitoral.

A faísca foi acesa em 1969, mas a internet realmente começou a transformar nossas vidas no final dos anos 1990 e com início dos anos 2000.

“A internet está completando 50 anos, mas a primeira conexão de internet entre Stanford e UCLA foi entre dois caras. Não envolveu todo o planeta”, diz Genevieve Bell, pesquisadora sênior da Intel e diretora do Instituto de Autonomia, Agência e Garantia da Universidade Nacional da Austrália.

“Ela realmente começou a mudar nossas vidas e agitar a nossa consciência em torno do momento em que o Google se tornou um verbo. Tudo explodiu no cruzamento do Google, smartphones, aplicativos, Amazon, Facebook e eBay.”

Como a internet mudou o mundo?

Fato é que é difícil quantificar como a internet mudou o mundo. Se alguém precisa de informações de localização, a maioria não vai mais para o carro buscar um mapa. Se está de noite, não é mais necessário esperar que o banco abra as 9h da manhã para descobrir quanto dinheiro ainda tem na conta corrente. O que o presidente disse em um comício ontem à noite? Vá online buscar seus comentários. Contabilizamos nossos impostos e também pedimos comida pela internet.

“A internet mudou noção de tempo, espaço e distância”, diz Bell. “A internet pode nos dizer instantaneamente quem foi presidente em 1969, e a horas o novo restaurante da cidade está aberto. Com a internet podemos ver um robô se movendo em Marte e manter o contato com amigos da América ou da Austrália.”

A internet também criou novas comunidades, reunindo pessoas de todo o mundo, seja porque elas compartilham um amor em comum pela mesma banda ou por um programa de TV. Claro, a existência da internet também significa trolls anônimos que podem inundar as mídias sociais com comentários odiosos e bots no exterior podem postar tweets negativos e falsos sobre políticos e celebridades para incitar a raiva e até mesmo violência.

Enquanto empresas de todos os tamanhos usam a internet para agilizar suas operações de gerenciamento da cadeia de suprimentos e trazer mais clientes para perto de suas marcas, elas também precisam lidar com hackers que roubam informações financeiras de clientes ou corrompem corporações e estados-nação plantando comentários on-line negativos ou usando a internet para espionar seus planos de produtos ou finanças.

Privacidade, ou a perda crescente do mesmo, também é um problema da internet, ou mais precisamente, graças à forma como usamos a internet.

“Com o passar dos anos, a internet foi ficando mais inteligente”, diz David Reinsel, vice-presidente sênior da IDC. “Você não está mais indo a algum lugar. O lugar está vendo você ir até ele, aprendendo mais sobre você, pelo que compra, pelo que busca e pelas coisas que gosta. Assim como tudo que faz online, você deixa um rastro de informações. Seu eu digital é mais você do que o seu eu físico agora. E com isso, está empurrando informações para você com base no que sabe sobre você.”

As empresas estão usando todas essas informações pessoais para segmentar estrategicamente usuários individuais com anúncios específicos e marketing.

“Antes que uma empresa crie um produto para homens ou para uma determinada geração… Agora, com as informações que estão recebendo sobre nós on-line, eles podem segmentar para o indivíduo que querem. Pense sobre o dia quando entrar em um restaurante e ser recebido pelo nome e apresentado a um menu que leva em conta o que você gosta de alimentos, considerando suas alergias. Ainda não chegamos lá, mas é para lá que estamos indo. A desvantagem, porém, é se esse restaurante diz ao seu plano de saúde que você pediu uma banana split. Eu tenho um problema com isso”, diz Reinsel.

Empresas têm muitas oportunidades para desviar informações sobre nossos gostos, nossas posições políticas, nossos hobbies e nossos comportamentos de compras às 2h da manhã, isso porque nossos laptops, tablets e smartphones se tornaram uma espécie de apêndice extra. Raramente estamos desconectados. Pesquisas mostram que, enquanto muitas pessoas navegam em sites de notícias on-line, Twitter e Facebook no horário do seu café da manhã, outros não conseguem sequer esperar levantar da cama para checar o que está acontecendo no mundo ou o que memes estão sendo postados. Estamos viciados.

Estamos tão conectados que empresas inteiras, como Airbnb, Uber e a Amazon existem totalmente online.

Conectividade generalizada e interfaces cérebro-computador

Então, se a internet mudou nossas vidas tão dramaticamente nos últimos 50 anos ou mesmo nos últimos 15 anos, o que poderia acontecer os próximos 15 ou 50 anos?

De acordo com Marc Weber, fundador do programa de história da internet no Computer History Museum, em Mountain View, Califórnia, ao mesmo tempo que a internet criou oportunidades para profissionais trabalharem de forma mais produtiva e com sucesso, talvez até fora do escritório, o avanço de tecnologias como realidade virtual e realidade aumentada só aumentará o poder das ferramentas de teletrabalho como o Skype, Zoom, Slack e mensagens instantâneas.

“Há empresas que estão realmente usando tecnologia remota para mudar a maneira como trabalham”, diz Weber. “Mas quando tivermos realidade virtual satisfatória na web e outras tecnologias de habilitação remota, haverá uma mudança ainda maior. Se você facilitar a telepresença ou outras maneiras de conectar virtualmente as pessoas, isso vai mudar a maneira como as pessoas trabalham.”

Embora o Google tenha falhado com o lançamento inicial de sua tecnologia vestível do Google Glass, amplamente difundida como estranha e assustadora, Weber prevê que mais e melhores dispositivos vestíveis chegarão ao mercado, o que ajudará a mudar a maneira como nos conectamos à Internet.

“No momento, acessamos a Internet através dessas telas minúsculas que carregamos no bolso”, diz Weber. “Seja algo como Google Glass, avanços em relógios inteligentes ou uma interface cérebro-computador, para que possamos navegar na web em nossa mente, haverá uma nova tecnologia que facilita o acesso à Internet. Não era possível prever o Airbnb e o Yelp antes que os smartphones se tornassem comuns. Como podemos prever o que acontecerá quando conseguirmos informações através da interface cérebro-computador? O próximo grande avanço em como acessamos a Internet mudará o meio novamente.”

Fonte: https://computerworld.com.br/2019/10/30/internet-faz-50-anos-como-ela-mudou-o-mundo-e-o-que-mais-podemos-esperar/


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